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Economia

Recessão acabou. Mas recuperação ainda é lenta

Diário do Comércio

Grupo de acompanhamento da conjuntura na ACSP também registra mudanças radicais nos shopping centers, com o varejo ocupando só 30% das áreas, e os serviços -de cinema a laboratórios de análises clínicas -com os 70% restantes.

A economia já colocou o pescoço para fora e não corre mais o risco de se afogar. Mas sua recuperação ainda é lenta. Um exemplo: o setor do varejo restrito, que não inclui veículos e material de construção, deverá fechar o ano com uma alta de 1,4%.

No Estado de São Paulo, o comércio obteve crescimento entre janeiro e julho em todas as regiões, e o setor tende a recuperar o que perdeu com a crise entre outubro e novembro.

Foi essa uma das conclusões a que chegaram membros do Comitê de Avaliação da Conjuntura, reunidos nesta quinta-feira (28/09) na Associação Comercial de São Paulo.

O comitê pertence ao Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP, e tem como superintendente o economista Marcel Solimeo.

Os números seguem tendência em leve alta por todos os setores representados no comitê de avaliação. A indústria,por exemplo, que chegou a cair 9,7% no ano passado, está agora em -1,1 e deve voltar a porcentagens positivas em dois meses.

Em julho passado, a previsão era de que o setor cresceria este ano 0,6 ou 0,7%. Agora ja se projetam 2,5%, com ênfase nos bens de consumo duráveis.

As vendas internas de automóveis cresceram 5,3% de julho a agosto. Os veículos importados tiveram queda de 17% ante alta de 9% nas vendas de nacionais.

Essa progressão é puxada pelos veículos leves, enquanto os caminhões e ônibus têm desempenho rrazoável somente em razão das exportações.

setor têxtil também se recupera, por mais que 13 grandes empresas de fiação tenham fechado suas portas com a crise. Enquanto a indústria crescia como um todo de janeiro a julho em 0,2%, o setor acumulava crescimento de 5,4%.

TRANSFORMAÇÕES NO VAREJO

Setembro é, tradicionalmente, um mês bem morno para as lojas de vestuário, que aproveitam para suas liquidações, à espera das novas coleções que passarão a ser comercializadas em outubro.

Enquanto isso, prossegue a tendência de, nos shoppings, as redes maiores crescerem sobre os varejistas menores e independentes, que sofreram mais dificuldades e chegaram a entregar seus pontos durante a recessão.

Nos shoppings, a tendência agora esboçada é de que apenas 30% do espaço sejam ocupados pelo varejo. Os 70% passam a ser tomados pelos serviços -cinemas, praças de alimentação, academias, agências de viagem, laboratórios clínicos e até pequenos espaços para atividades triviais, como a depilação.

A tendência é que as lojas funcionem como vitrines, onde o consumidor escolhe um produto que 24 depois lhe será entregue, em casa, pelo centro de distribuição da rede varejista.

Esse modelo se agrega às modificações provocadas pelo e-commerce, que deve registrar um crescimento de 12% a 15% este ano. 

A tendência se acelera com a aproxição da Black Friday (24 de novembro), quando 81% dos consumidores que fazem compras online pretendem adquirir algum produto. Parte dessa clientela antecipará suas compras de Natal.

O varejo de medicamentos e produtos de higiene pessoal continua a registrar bom desempenho, com 10,4% de crescimento em agosto sobre o mês anterior. Em 2016, as farmácias tinham sido um dos únicos estabelecimento com crescimento de vendas, ignorando a crise.

Os cartões de crédito deverão se beneficiar da baixa dos juros e da ligeira recuperação do emprego. E, como tendência, há o ingresso no setor de crédito de empresas de Tecnologia de Informação, que oferecem taxas menores.

Hoje, para os cartões, a taxa de financiamento está em 10,3% ao mês (chegou a 14,9%), enquanto a taxa rotativa do cheque especial está em 12,6%.

CENÁRIO PARA 2018

Um dos participantes da reunião do comitê de avaliação resumiu a tendência do mercado, às vésperas de um ano com eleição presidencial.

Não se fala mais propriamente em liberais contra a esquerda. Fala-se em candidatos com racionalidade econômica e em candidatos sem essa racionalidade.

Por enquanto, a avaliação é de que desponte como favorito um candidato com racionalidade econômica.

Também foram debatidas as circunstâncias que hoje prejudicam a candidatura do Partido dos Trabalhadores. O que pesa contra Lula não é apenas uma condenação em segunda instância.

Pesam muito mais as duas manifestações de Antonio Palocci - depoimento a Sérgio Moro e carta de desfiliação do PT - que teriam provocado uma "implosão" na imagem do ex-presidente.

Os representantes empresariais também registraram o declínio que o Brasil sofre no plano internacional.

 

Há a pesquisa de competitividade, feita pelo Fórum Econômico Mundial, na qual o Brasil aparece na 80a posição, num conjunto de 137 países. Há cinco anos, o Brasil ocupava a posição de número 42.